POEMA PARA UMA CRISTALEIRA
De frente para as portinhas fechadas
a menina e o impasse em fechadura delicada
Os espelhos ao fundo alongam os sonhos
os brilhos
O mistério das taças cristalinas
borda a imaginação
evoca cenas de lugares longínquos
As xicarazinhas principescas em ciranda
envolvem uma garrafa de vinho Guaracy
Conjuntos incompletos
quebrados nas cenas temporais
A bonequinha de luxo toma conta
dos fantasmas do corredor
Dois copos altos no porta-copos de prata
conservam marcas do beijo mais desejado
Imóvel a cristaleira assiste às cenas
familiares
testemunha de segredos à meia-luz
Seus olhos de espelho espiam através
das ramagens
o relógio marcando a meia-noite
o presépio
o menino
as vaquinhas
Inundam-se de luz refletindo a estrela-guia
Um porta-retrato solene jura eternidade
Um elefante cheio de pedrinhas vermelhas
carrega os sonhos para o Oriente
O Sol
A Lua
O Verão
O Inverno
A Primavera
O Outono
A vida passa pela imóvel cristaleira
Aracaju, 12/05/2004
quarta-feira, 25 de julho de 2007
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3 comentários:
que poema! que poema!estou seguindo seu blog viu? beijo
O seu poema, Tânia, desfilou diante dos olhos encantados de um menino de oito anos (e ainda sardento) como uma cristaleira... Mágico, querida conterrânea, simplesmente mágico!
Ah, menina que bom que te descobri!
Meu amor pela tua poesia não cabe em uma cristaleira...
Estou encantada com teu blog. bjs
Vania Lopez
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